14.3.12

percebi que em dois dias todos os meus verbos mudaram.

de repente tudo que resta é 'ia'

eu poderia
eu gostaria
eu queria
eu faria
eu mudaria
eu me humilharia
eu morreria
eu seria
eu iria

e hoje o que sobrou foi 'ei'


hoje eu chorei.

13.3.12

os dias estão me apertando contra a parede e gritando pra mim ' vive, cara, vive que dá nisso, vive então, continua nessa que você vai acabar se dando mal ' e respondo pra eles que já estou acabada, que diferença faz?

12.3.12

quando o tiro acerta direto no coração não há mais o que fazer.

11.3.12

life isn't on paper


unilateral


hoje eu queria chegar em casa e sentir cheirinho de comida na panela, ver alguém me esperando com um sorriso de domingo e um prato na mao, ganhar um beijo enquanto pego os talheres, ligar a caixinha de som e colocar rilo kiley, cantar junto um pouco alto, conversar sobre como foi o dia enquanto jantamos, ser surpreendida por duas taças de vinho barato para acompanhar e saber que há outra garrafa na geladeira, fazer piadas banais e falar também sobre horóscopo, clima ou a programação da televisão, depois fumar um cigarro, deitar na cama, tirar a roupa e fazer um sexo demorado que pudesse me deixar suada mesmo no friozinho, fumar outro cigarro, deixar as músicas tocando aleatoriamente e quando gostasse muito de uma ser tirada pra dançar no meio do apartamento de um cômodo, pisando nas roupas e sapatos que estão esparramadas pelo chão, pisar no seu pé com meu jeito desajeitado, rir disso, ouvir que minha gargalhada é gostosa e e meus dentes separadinhos sao charmosos, abrir a outra garrafa de vinho, deitar na cama e fazer sexo de novo, esse menos demorado que o outro, o céu amanhecendo sobre nós numa mistura de tons, elogiar suas pernas sobre as minhas, no som explosions in the sky, dormir e sonhar com outros dias como esse e me esquecer em você.


mas esse rascunho não vai me levar a nada.
como poeta
considero o conceito de amor das pessoas muito limitado
inclusive o meu.

8.3.12

vivendo como se tudo fosse filme

(inclusive nós)
vivendo como se tudo fosse filme.

(inclusive nós)

29.2.12

o gato

daqui a dez dias
um ano que você me acompanha
em cada porre
em cada poema
em cada cigarro
em cada palavra
em cada amigo
em cada cena
em cada ausência
ou presença.
obrigada por estar aqui
porque eu sei
que sem você
eu não conseguiria.
você se mexe comigo
por esse cômodo apertado
e hoje eu coloquei
uma sacola grande
pra você brincar
e eu derrubei todo meu copo
de vinho no chão
você odeia o cheiro de alcool
esparramado.
irônico, não?
e você piscou os olhinhos
como quem agradece
como quem está bem.
te fazer dormir em paz
é o que me acalma.
durma bem,
gato preto
durma bem
fique bem
um novo apartamento
nos aguarda
para você correr mais.
a sua liberdade
me libertará
mais e mais
e mais.
não me ame
me ame
não me ame
me ame
não me ame
me ame
não me ame
por favor,
não
por favor,
me ame.

28.2.12

sentir vai além
de todos os meus limites
mentais
corporais
hormonais
animais
e talvez
eu tenha mesmo
nascido apenas
para sentir
profundamente
qualquer coisa
que possa ser sentida.

27.2.12




corpo tem
mente tem
mas coração
CORAÇÃO NÃO TEM CONTROLE.
minha casa é só minha
e coloco uma música antiga
danço e canto pelo único cômodo
de olhos fechados
e me sinto livre
aqui ninguém pode me inibir
ou me proibir
de ser eu mesma
não vou escovar os dentes pra dormir
não vou tirar os grampos do cabelo
não vou tirar a maquiagem
nem vou colocar pijama
não
vou
pensar
em
ninguém.
rj


a água do mar esta gelada demais e ninguem ousou entrar. já reparou que as pessoas fogem do que pode tirá-las da temperatura ambiente? eu sou diferente, arrisco. gosto de riscos, rabiscos, gosto da adrenalina do que tiver que ser será. sempre é, sempre será. e se mergulhar tem que ir fundo, tenho pavor de raso, quando metade do corpo fica dentro da água e a outra metade não. fundo, entende?

25.2.12

estou totalmente reclusa.

13.2.12

essa ressaca
que não é apenas bebida
indisposição
dos dias.